28 de out. de 2011


Quero a delicia de poder sentir as coisas mais simples.

(Manuel Bandeira)

 



"Quando chegar o momento, morrerei por alguma das mazelas do mundo, menos por covardia afetiva. Desse mal sei que não morro, não mais."

(Ana Jácomo)










Foto Katya Floriani

15 de out. de 2011

"Acho que devemos fazer coisa proibida – senão sufocamos.
Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres.”
Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar. Me encante nos mínimos detalhes. Saiba me sorrir, aquele sorriso malicioso e gostoso, inocente e carente. Me encante com as suas mãos, gesticule quando for preciso, me toque..quero correr este risco.....

(Clarice Lispector)


Alma inquieta que não se cala, mesmo quando a mulher se obriga.
Sentimentos se agitam, um sufocar que só se libertará com um grito.
Por isso eu grito...
Um silencioso grito... que somente os sensíveis escutam e entendem.




Texto Katya Floriani

 Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

(Fernando Pessoa)


13 de out. de 2011

 
 
Gosto do mar. Gosto da sensação de não saber o tamanho da próxima onda. Gosto de ir e vir, sem pressa. Do ritmo. Gosto de assistir chegar. Sal me equilibra. Sou doce por dentro."

(Raquel Lemos)

12 de out. de 2011

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que o homem que eu amo seja sempre amado, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também. 
(Texto adaptado de Oswaldo Montenegro)

9 de ago. de 2011


"Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes
pra não pensar em cousa nenhuma
para nem me sentir viver
para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectidos."
 
(Melina Flynn)
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios

Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece…

Mas, em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!


(Mário Quintana)

15 de jul. de 2011

Nunca - A banda mais bonita da cidade



Nunca se esconda assim
eu não vou saber te falar, te explicar que eu também me assusto muito
você nunca vê que eu sou só um menino destes tais
que pensam demais

10 de jul. de 2011


Aprendi que há outras possibilidades de amar, outras maneiras, mais simples, mais diretas e infinitamente mais prazerosas.
Estou aprendendo a duras penas, a perder-me no outro, o que não deixa de ser uma forma de encontrar-se.

Amar só por amar é um exercício que só conseguimos realizar quando visitamos o outro, sem medo. E aí, quando vc consegue verdadeiramente amar muita gente, o seu eleito chega com a serenidade de uma tarde de música.

(Do livro Vivendo em Voz Alta de Miguel Falabella)



Digo, repito e pratico:

All we need is love!!!
 
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


(Carlos Drummond de Andrade)